Tuesday, August 08, 2006

As sem razões do amor

A verdade é que passei a vida tentando convencer as pessoas de que eu sou forte, auto-suficiente, nao só financeira como emocionalmente. Que me apaixono sim, mas nao morro de dor de cotovelo se nao for correspondida. Que sou desencanada, nao ligo pra traição. Prefiro a verdade do que uma mentira que em agrade. Gosto de jogo limpo, olhos nos olhos. É isso, então tá. Se não é, então tá também. Que as coisas são muito simples e claras quando conversadas.
O pior é que convenci.
E agora, como eu digo que menti? Que nao sou daquele jeito. E agora, como é que eu peço colo? Como eu digo que tenho saudade? Como eu peço um beijo, um abraço? Como eu falo que morro de ciúmes?
Como é que eu digo que estou com medo?

Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.


(trechos do poema de Carlos Drummond Andrade)

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